PROBLEMATISING REALITY
Encounters between art, cinema and philosophy
Programme 6
Alain Brossat, Jean-Gabriel Périot

Goethe-Institut, Auditorium
28.02.2019

Jean-Gabriel Périot, Une jeunesse allemande, 2015. © Local Films

Une jeunesse allemande (2015, 93 Min.) de Jean-Gabriel Périot

Discussão: Alain Brossat, Jean-Gabriel Périot

As obras de arte, nomeadamente aquelas que trabalham a partir de material documental, podem oferecer um apelo particularmente desafiante para refletir sobre a realidade. Enquanto a ligação indexante à realidade que abordam garante ao som e à imagem uma credibilidade especifica, a postura do artista, a sua escolha estética, temática e política, bem como a posição autorreflexiva, podem gerar uma avaliação critica sobre a constituição dessa realidade. É neste ponto que a arte encontra a filosofia. A reflexão sobre a relação entre o mundo factual e a sua apropriação subjetiva, questionando as reivindicações hegemónicas de objectividade e autoridade e problematizando as contradições inerentes à sociedade, são, por imanência, questões filosóficas. Problematizar a realidade – encontros entre arte, cinema e filosofia é um conjunto de programas que decorre de uma parceria entre IFILNOVA (CineLab) / FCSH / UNL, Goethe-Institut Portugal e Maumaus / Lumiar Cité e em colaboração com Apordoc / Doc’s Kingdom. Estes encontros internacionais entre artistas e investigadores focam-se no momento em que a arte, o cinema e a filosofia se entrelaçam num diálogo produtivo.

No sexto programa o encontro é entre o filósofo Alain Brossat e o cineasta Jean-Gabriel Périot, numa discussão em torno do filme Une jeunesse allemande (Jean-Gabriel Périot, 2015). Através de uma complexa montagem de diversos materiais audiovisuais - incluindo filmes experimentais de estudantes da DFFB (Deutsche Film- und Fernsehakademie Berlin), excertos de programas de televisão e de atualidades, e extratos de proeminentes filmes de autor das décadas de 1960 e 1970 -, Une jeunesse allemande procura traçar a politização das gerações mais jovens da então Alemanha Ocidental. Em última instância, esta politização levou à formação do grupo Baader-Meinhof e à sua luta armada, bem como à sua ligação com a política de representação e a produção de imagens. Imagens de protestos por movimentos de esquerda contra as duradouras estruturas fascistas da Alemanha capitalista, no período pós-nazi, são entrelaçadas com declarações de intelectuais e artistas. Estes, por sua vez, são colocados perante imagens que denotam o enviesamento ideológico da comunicação social e as reações das autoridades, invariavelmente exigindo um aumento da repressão estatal. A constelação resultante não só permite uma abordagem dialética do clima político tenso da época, como também convida a uma reflexão crítica sobre o uso político das imagens e a instrumentalização de noções como terrorismo, democracia, esfera pública e resistência.

Alain Brossat (1946) vive e trabalha em Paris. É Professor no Departamento de Filosofia da Université Paris VIII. O seu trabalho abrange os campos da topografia do terror, da deportação e internamento na Europa de Leste e na União Soviética, dos regimes terroristas e pessoas desaparecidas, bem como da estética e das políticas do cinema, com foco em autores como Michel Foucault, Gilles Deleuze, Hannah Arendt, Walter Benjamin, Norbert Elias, Pierre Clastres, Zygmint Bauman, Jacques Rancière, Alain Badiou e Giorgio Agamben. As suas publicações mais recentes incluem: “Ce que peut le cinéma – conversation” (com Jean-Gabriel Périot, 2018), “Interroger l'actualité avec Michel Foucault, Téhéran 1978 / Paris 2015?” (com Alain Naze, 2018), “Le plébéien enragé. Une contre-histoire de la modernité de Rousseau à Losey” (2013), “Autochtone imaginaire, étranger imaginé : Retour sur la xénophobie ambiante” (2012), “Biopolitics, ethics and subjectivation” (editado com Yuan-Horng Chu, Rada Ivekovic and Joyce C.H. Liu, 2011).

Jean-Gabriel Périot (1974) vive e trabalha em Paris. Entre o documentário, a animação e o cinema experimental, a maioria do seu trabalho aborda a violência e a história. Realizou diversas curtas-metragens, desenvolvendo um estilo particular no trabalho de montagem a partir de arquivos. O seu trabalho de curta duração, incluindo Dies Irae (2005), Eût-elle été criminelle... (2006), Nijuman no norei (2007) e The Devil (2012), foi exibido em inúmeros festivais e homenageado com prémios. Une jeunesse allemande (2015), o seu primeiro documentário de longa-metragem, abriu a secção Panorama da Berlinale 2015, recebeu prémios em vários festivais e foi posteriormente lançado nas salas de cinema francesas, alemãs e suíças. Natsu no hikari (Summer Lights, 2016), a sua primeira longa-metragem de ficção, estreou no Festival de Cinema de San Sebastian, em 2016, e foi exibido noutros festivais antes de ser lançado nas salas de cinema francesas, em 2017.



























































































































































































































Maumaus

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Seminar
Alan Read
The Dark Theatre:
Conditions of the Irreparable
11.-13.03.2020, 11 am, 2 pm

Auditorium Goethe-Institut, Lisbon

Seminar
Sjoerd van Tuinen
The Return of Mannerism: Art, Philosophy, Art History
23.-25.03.2020, 11 am, 2 pm

Auditorium Goethe-Institut, Lisbon

Fogo Island Dialogues
Atlantic Codes
November 8–9, 2019

Calouste Gulbenkian Foundation, Padrão dos Descobrimentos, Lumiar Cité


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Ao descer a escada
Há um degrau p’ra me sentar.
Não há outro degrau
Onde descansar.
Não estou lá em baixo
Nem lá em cima estou.
Estou é na escada
Onde sempre estou.

Ao subir a escada
Não estou em cima, nem em baixo.
Não estou na creche,
Nem mesmo no sopé, acho.
Ideias estranhas começam a girar
Na minha cabeça
Fora do lugar!

Tonio Kröner
09.11.2019 - 02.02.2020

25.01 | 17h00 Talk with Tonio Kröner, Simon

Thompson, Jürgen Bock


Upcoming exhibition:

Judith Barry
All the light that's ours to see

In line with revised recommendations from the authorities, we are postponing the exhibition, which was scheduled to open on 28 March. A new date will be communicated in due course.


In cooperation with Lumiar Cité:

Tiffany Chung
Thu Thiêm: an archaeological
project for future remembrance
08.06. - 08.09.2019

Johann Jacobs Museum



Maumaus / Lumiar Cité
is funded by Ministério da Cultura / Direção-Geral das Artes. With the support of Câmara Municipal de Lisboa and Junta de Freguesia do Lumiar

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